Terrible Two (pode pular se você não é mãe/responsável por um criança menor de 3 anos =P)

Então, lembra do Thiago, aquele menino cordial que nunca reclamava de nada? Pois bem, isso tudo mudou esse ano, quando ele fez dois anos. Sempre achei graça dessa história dos “Terrible Two”, aliás, o que isso mais me lembra é do episódio da Família Dinossauro, quando eles resolvem comemorar logo o aniversário de três anos do Baby pra acabar logo com aquele comportamento (é, sou velha mesmo =P), mas nunca levei muita fé nisso. Até o meu filho fazer dois anos, é claro.

Agora, vocês lembram o Dr. Delamare? Pediatra consagrado no Brasil, ele “cuidou” mais da metade dos bebês brasileiros, direta ou indiretamente. Ele foi o precursor da pediatria no Brasil, batendo o pé que o Pediatra não era para ser apenas um médico que atende crianças, mas um especialista, com curso, registro, e tudo mais.
Eu disse que ele cuidou indiretamente de tantos bebês é porque ele foi os autores de um dos maiores best-sellers brasileiros, “A Vida do Bebê”, que fala da vida, saúde, alimentação, aspectos sociais, etc. da criança ao nascer até completar dois anos, lançado em 1941 e reeditado até hoje (a minha é de 2004 e é a 41º Ed). Na década de 70, havia dois livros: o já citado e o “A Vida de Nossos Filhos” que falava da criança dos dois até os 16 anos. Esse já não existe mais para a venda, mas que minha mãe guardou a edição que ela consultou durante os anos 70, mas que ficou esquecido na minha estante até ontem, quando eu peguei pra ler e me deparei com a descrição da criança de dois anos e meio, e vi um retrato do Thiago: mandão, possessivo, preso na negação,  fazendo mal-criação, passando de extremos em segundos, e com um sentimento de frustração muito grande.  Me interessei e comecei a ler e pesquisar um pouco mais e uma das coisas que eu percebi é que nessa fase a criança passa a ter noção das escolhas que lhe cerca, que ele não precisa fazer sempre tudo do jeito que lhe é ordenado, que ele tem voz e pode decidir por si próprio. Daí vem o problema:

Primeiro porque como ele passa a ter voz, ele passa a discordar do adulto no comando, e convenhamos, quando você está atrasada para ir pro trabalho e seu filho reclama e chora, às 06:50 da manhã porque não quer ir de tênis pra escola, mas sim com o chinelo do Homem Aranha, você realmente sente falta de um regime mais autoritário na sua casa.

Segundo, porque ele passa a ter a noção que ele não só pode, como deve opinar, e ele perde a segurança de ter alguém decidindo por ele, passa a ficar inseguro com as decisões a serem tomadas, e com isso há um cansaço mental. Como mãe leoa que eu sou, fiquei com muita pena do Thiago nesse momento.

Daí, fiquei pensando em como fazer para ajudá-lo a ter uma vida mais tranqüila, em como fazer essa transição, que segundo o Dr. Delamare não dura muito mais do que seis meses. No dia dos Pais, dei de presente pro Joao o livro “É claro que eu amo você – agora vá para o seu quarto – Educando filhos com amor e limites” da Diana Levy e  ela fala que em momentos em que a criança está frustrada, ao invés de explicações complicadas, sermões, castigos e tudo mais que nós, educadores, normalmente fazemos o mais importante é  completar o “reservatório emocional” da criança, mostre empatia à criança que a maior probabilidade é ela  passar do frustrado ao cordial.
Achei muito difícil, mas resolvi tentar. Deu certo.
E depois do incidente, quando eu abraço e da empatia, não existe uma segunda crise, mesmo que volte a ocorrer alguma coisa que o aborreça.

Portanto, pessoal, lembra daquele dia que tava uma merda e tudo que você queria era uma cerveja com os amigos para falar mal do chefe/namorado/marido/ situação financeira, mesmo sabendo que ninguém ali vai fazer nada pra resolver o problema, a não ser te escutar e, com sorte, te fazer rir do seu problema? Pois é , seu filho também precisa disso.
Incentive as boas amizades do seu pequeno, e enquanto ele não tem a maturidade para saber expor os problemas aos amigos, fique atento (a), identifique o problema e seja amigo (a) do seu pequeno. Eu acredito que dessa forma ele vai ser muito mais seguro, e conseqüentemente, mais feliz. 😉

3 comentários sobre “Terrible Two (pode pular se você não é mãe/responsável por um criança menor de 3 anos =P)

  1. Querida, muito bom o texto. Não tenho muita lembrança da minha experiência de mãe, mas como tia (muito presente) de um garotinho de 3 anos, eu notei uma mudança no comportamento dele. Pouco depois do aniversário de 3 anos, eu notei que o José Paulo ficou mais “calminho”.
    Deu pra perceber que o quer ele mais demandava era atenção, principalmente do irmão mais velho. Bastava um pouco de paciência e atenção, explicando as regras, que ele “aprendeu” a brincar e ver tv. Agora ele senta e presta atenção na tv ou no jogo e sabe vir contar pra gente. É muito interessante e muito gostosa essa fase. E o mais importante é isso, curtir a vida junto com nossos fofos !!!

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