Nas últimas 72h perdemos duas pessoas próximas.Uma de cada lado da família:

Um tio do lado dele. Uma tia do meu lado. Sei que para morrer basta estar vivo, mas quando essa nossa finitude nos pega de surpresa, abruptamente, numa tarde de domingo, a gente fica sem chão, reflexivos, e, vergonhosamente confesso, assustados.

Vergonhosamente porque não tem nada mais óbvio do que o nosso fim, e a gente insiste em não lembrar, insiste em achar que somos e temos relações eternas, quando é claro que isso não existe.

Mas ontem, no velório da minha tia me dei conta de uma coisa que nunca tinha invadido o meu pensamento. Quando uma pessoa próxima morre, morre com ela aquela versão sua, aquela imagem que a pessoa tinha de você.

Quando meu pai morreu em 2022, a Kunduks morreu com ele. Segunda, a Noinha foi embora com a minha tia Anesy e para a única coisa que consigo pensar para homenagear essas pessoas que sempre estiveram comigo é tentar seguir com essas personalidades em frente: engraçada, esperta, cuidadosa com o próximo e preocupada com o meio-ambiente, apesar de boba e estabanada.

Levo vocês comigo, por toda minha vida. Felipe, Arany, Cacai, Aracy e, agora, Anesy. ❤️

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