Reflexões do Dia das Mães

“Engraçado” como a maternidade vem carregada de culpa, mesmo fazendo aquilo que me parece certo, a insegurança de ter feito ou não a melhor escolha persiste, já que de Mulher Maravilha, me falta a auto-estima.

Desde que me lembro, quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse, a minha resposta era a mesma: “Mãe”. Queria ser aquilo tudo que minha mãe era: professora, dona de casa, esposa, administradora da família, estudante de Direito, e depois, advogada, concurseira e depois, concursada. Amiga e presente, apesar de todo o trabalho que ela tinha. Até hoje me surpreendo com a capacidade da minha mãe em estar presente em todos os momentos de nossa vida e ainda ter conquistado tudo que conquistou.

Foram 26 anos para que aquela menina de 7 anos até o Thiago pintar. E, durante todo esse tempo sempre me imaginei uma mãe como as mães da geração passada, mas quando eu percebi que tinha ao meu lado mais do que um pai, e sim um cara que queria ser além de meu companheiro, companheiro do filho que estava por nascer, minha cabeça começou a mudar.
Que mãe eu seria negando ao meu filho o amor de um pai? Se ele realmente se dispôs a dividir comigo todo o trabalho, todo o amor, toda a dedicação ao nosso filho, que mãe eu seria se negasse ao meu filho esse amor tão grande?

Abri mão, ainda com ele na barriga, de ser ponto fixo e único na vida dele. Optei em não alienar o pai da criação do meu filho e saímos ganhando. Claro que nem tudo foram ou são flores. Dá mais trabalho do que se imagina conseguir tirar de duas criações totalmente diferentes de duas pessoas distintas, conseguir achar um meio termo entre a doçura dos pais e a rispidez educacional, que às vezes é necessária. Como é complicado a gente não se deixar levar por compensar algum buraco do nosso passado ou falha do nosso presente, e acabar perdendo a mão com ele. E tudo isso tendo os olhos atentos do outro, para aplaudir ou puxar a orelha, dependendo do caso.

Apesar de ter certeza que para o meu filho não haveria melhor escolha, ainda me pergunto se isso foi mesmo a melhor escolha quando vejo que as amigas tem suas noites mal dormidas e o meu filho, só chama a noite pelo pai. Já doeu muito, mas sempre me convenço que é por uma boa causa, a melhor possível: a felicidade dele. Também é complicado lidar com as críticas, ainda que disfarçada, de pessoas próximas que não entendem porque o pai é tão participativo, como se fosse um crime eu não ser a mãe leoa, que defende o filhote até do pai. Daí eu paro, respiro e me lembro que essa foi uma escolha minha, uma escolha nossa, e que é apenas um dos sacrifícios que faço por ele, como foi eu voltar a trabalhar fora.

Desejo a todas as mães um feliz domingo. Que nossas decisões não sejam um fardo, e sim motivo de orgulho para nossos filhos, assim como é pra mim ter tido uma mãe sem medo de tentar novas oportunidades para dar uma melhor vida para suas filhas.

Eu sei que terei um excelente domingo, ao lado do meu filho e meu marido. 🙂

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