Eu não nasci para deixar de ser mãe

Eu ia dizer que não nasci para ser mãe, mais seria mentira. Eu era mãe antes de ter meu filho. Era mãe de sobrinho, mãe de amigos, mãe de todos.

Daí eu pensei bem e percebi que eu não nasci para deixar de ser mãe. Vou explicar: quando essas tragédias públicas acontecem, como o menino de Costa Barros ou o filho da Ciça Guimarães, a gente para para pensar na vida, para para pensar na morte e depois que eu virei mãe do Thiago essas tragédias me afetam muito mais. Eu lembro de receber a notícia da queda da Isabela com o Thiago ainda bebezinho, mamando, no meu colo, lembro da tristeza que eu senti e lembro de ter pensado que nunca poderia ter sido a madrasta, afinal ela tem filhos, e quem é mãe não ia fazer outra mãe a passar por isso. A dor de uma mãe quando deixa de ser mãe deve ser brutal.
Li uma vez uma citação de que eu não lembro o autor, em que dizia que é tão não natural uma mãe ficar sem filho que não existe nem um termo na Língua Portuguesa para isso: você perde o pai/mãe, é órfão, você perde marido/mulher, você vira viúva, quando você perde um filho, você fica perdida no mundo. Acho que é isso. Minha avó de parte paterna e minha nova avózinha de parte do marido, perderam filhos. Há anos. Nunca superaram, nunca recuperaram a alegria de antes, eu sempre aceitei isso, mas só tive dimensão da dor delas, depois que o meu Thiago nasceu.
Se quando o Thiago se machuca, a minha dor existe, imagina num caso de atropelamento? Não é só perder o filho, é a maneira que você perdeu.
Perder um filho com uma doença grave, gera uma dor, gera uma revolta, em alguns casos.
Perder um filho por culpa dele, gera a mesma dor, e uma tristeza, um complexo de culpa.
Agora perder um filho porque um rapaz irresponsável fez uma bandalha no trânsito, e aqui nem vou entrar no mérito se ele estava ou não batendo um pega, como a imprensa falou, mas só me refiro ao fato dele ter feito um retorno proibido no meio do túnel e ter voltado pela galeria fechada, não ter parado para prestar socorro e ter ido embora para casa como se nada tivesse acontecido, gera a mesma dor da perda, mas uma revolta muito maior, deve ter uma raiva pronta para explodir, mas que de nada adianta, nada vai trazer o Rafael de volta.

Um rapaz que dirige há 7 anos, mora na Barra e frequenta a noite da Zona Sul, SABE que aquele retorno é proibido, apenas para emergências e carros oficiais. Fingir desconhecer a lei não é desculpa. Me irrita. O pai ter mandando o menino ir para casa, sem enfrentar as consequências do que fez, me irrita. É nossa obrigação como pais educar bem, e faz parte da educação ensinar aos nossos filhos a enfrentar as consequências dos seus atos e isso começa de pequeno. Por mais que tenham horas que a vontade é de passar a mão na cabeça, a nossa obrigação é mostrar onde errou, ensinar a reparar os danos e deixar claro que alguns erros não tem compensação nessa vida.
E torcer para dar certo.

Que a dor de quem perde seus filhos seja diminuída pelo tempo e que seus corações fiquem em paz.

Um cara família

Uma das coisas que me encantou no Joao, foi o fato dele ser um cara família. Ele gosta de estar em família, seja na dele ou na minha. Pra mim, um fator determinante para um relacionamento durador, já que eu sou uma pessoa extremamente ligada a minha família e que tinha que arrumar um companheiro que se desse bem com a minha família tipicamente italiana: entrona e barulhenta.
Outra coisa boa nessa faceta do maridão é que isso o torna um pai melhor.
Ele não é um pai de fachada. Ele participa. De corpo e alma.
E eu acredito que isso venha do lado família dele. Para ele é tão importante o Thiago se sentir bem em família para que possa ter ao crescer o mesmo comportamento que nós.
E aí entra o fato que me estarrece. Eu sempre acreditei que ser família ou não era um fator tipicamente de criação. A gente aprende com os nossos pais como trata-los observando a maneira com que eles tratam os seus pais.
Então como é que pode numa mesma famíla, primos e irmãos serem tão diferentes???!!!

Eu fico grata em saber que o meu marido pensa e age como eu. Ele age assim com o filho, com a mãe, com a avó e agiu assim com o pai também.
Thiago terá bons exemplos. 🙂