Foi com medo de avião …

Eu tenho pavor de voar. Não sei porque. Não é um medo justificado pelas estatísticas, mas é um medo real.
Congonhas é a pista em que eu mais passo vergonha. Como a freada é muito brusca, quando o avião pousa é normal eu estar com os braços esticados na poltrona da frente e com o rosto coberto de lágrimas, sempre esperando pelo pior. Com a graça de Deus isso nunca aconteceu comigo. Nem uma turbulência de verdade.

O pessoal do vôo 3054 da TAM não teve a mesma sorte.
Fico vendo a lista de passageiros: pais de famlía, gente com futuro promissor, crianças, mães dedicadas, filhas de férias e me dá um nó na garganta, um aperto no coração que nem consigo explicar. Hoje de manhã, no laboratório, chorei enquanto esperava para tirar sangue, enquanto via a matéria na tv sobre uma moça que perdeu a mãe e as duas filhas no acidente. Injusto demais, ninguém deveria passar por isso.

E daí entram no mérito e nas culpabilidades, valores de indenizações, caça às bruxas … mas nada vai trazer essas pessoas de volta e recolocar a alegria no meio dessas famílias.

Essa semana ficou cinzenta e chuvosa. E eu tô falando de sentimentos, não de meteorologia.